Cariótipo: o que é o exame genético
Entre os testes genéticos, o exame cariótipo se destaca por permitir a análise do número e da estrutura dos cromossomos. Mas você sabe quando esse exame é indicado e quais condições ele pode identificar?
Entenda a seguir o que é o cariótipo, em quais casos o exame pode ser recomendado e quais são as principais alterações cromossômicas e síndromes que podem ser detectadas por meio dessa análise.
O que é o cariótipo?
O cariótipo é o conjunto completo de cromossomos de um indivíduo. O termo cariótipo também pode se referir a representação visual do conjunto cromossômico de uma célula, organizados por ordem numérica.
O cariótipo humano é constituído por 46 cromossomos, sendo 22 pares de cromossomos autossômicos e 1 par de cromossomos sexuais (XX para sexo feminino ou XY para sexo masculino). Assim, para a espécie humana o cariótipo pode ser escrito como 46, XX ou 46, XY.

Figura 1. Representação de um cariótipo humano masculino normal (46,XY), com 46 cromossomos organizados em 23 pares e identificados pelo padrão característico de bandamento G.
A análise visual dos cromossomos por cariotipagem faz parte dos estudos de citogenética. Esse tipo de investigação permite entender funções celulares, relações taxonômicas, eventos evolutivos e algumas doenças humanas.
Quando ocorrem mutações que alteram o número total ou a estrutura dos cromossomos, pode-se desenvolver síndromes ou doenças genéticas.
A Síndrome de Down, por exemplo, é uma condição genética geralmente causada pela presença de um cromossomo 21 a mais, ou seja, pela trissomia do cromossomo 21. Nesses casos, o cariótipo da Síndrome de Down é de 47 cromossomos (47, XX,+21 ou 47, XY,+21).
Cariótipo exame
O exame de cariótipo é um teste genético que consegue identificar variantes cromossômicas estruturais e numéricas, podendo auxiliar no diagnóstico de algumas condições genéticas, incluindo doenças raras.
Saiba mais a seguir sobre como o exame é feito, quando ele é indicado e quais síndromes ele ajuda a identificar.
Como o exame de cariótipo é feito?
O exame de cariótipo envolve algumas etapas realizadas em laboratório, que incluem:
Coleta de amostra: geralmente sangue periférico, mas pode ser de pele, medula óssea ou outros tecidos;
Cultura celular: as células da amostra são cultivadas em condições específicas e, quando necessário, estimuladas a entrar em divisão celular;
Interrupção da divisão celular: substâncias específicas são utilizadas para interromper a divisão celular na metáfase, fase em que os cromossomos estão mais condensados e podem ser observados com maior facilidade;
Preparação e coloração: os cromossomos são preparados em lâminas e submetidos a técnicas de coloração, como o bandeamento G com Giemsa, que produz um padrão característico de bandas ao longo dos cromossomos;
Análise dos cromossomos: o citogeneticista analisa as células ao microscópio para identificar e contar os cromossomos e avaliar sua estrutura e o padrão de bandas.
Quando o exame cariótipo é indicado?
O exame cariótipo permite identificar alterações cromossômicas relativamente grandes (entre 5 a 10 megabases). Por isso, em muitos casos, o microarray é preferido ao cariótipo, que consegue analisar alterações bem menores.
Porém, o cariótipo ainda é indicado em algumas situações, incluindo em análises pré-natais, neonatais, oncológicas ou de infertilidade, como por exemplo:
Anormalidades estruturais: pode ser utilizado na investigação de alterações cromossômicas associadas a anormalidades fetais observadas no ultrassom ou a anormalidades congênitas identificadas após o nascimento.
Investigação de infertilidade ou perda gestacional recorrente: em determinadas situações, o cariótipo pode ser recomendado para investigar rearranjos cromossômicos balanceados, que podem estar associados à infertilidade ou aumentar o risco de alterações cromossômicas na gestação.
Doenças onco-hematológicas: o cariótipo pode identificar rearranjos cromossômicos associados a determinados tipos de câncer. A identificação dessas alterações pode auxiliar no diagnóstico, prognóstico e escolha do tratamento em alguns casos.
Avaliação do risco de recorrência: quando uma alteração cromossômica estrutural é identificada em uma criança ou em uma gestação, o cariótipo dos pais pode ser indicado para verificar se um dos progenitores apresenta um rearranjo cromossômico balanceado e auxiliar no aconselhamento genético.
Quais síndromes o cariótipo detecta?
O cariótipo detecta as seguintes variantes genômicas:
Alterações cromossômicas numéricas: aquelas que alteram o número total de cromossomos de um indivíduo.
Aneuploidias: são as alterações caracterizadas pelo ganho ou pela perda de cromossomos específicos, como as monossomias e as trissomias. Assim, o cariótipo é diferente de 46 cromossomos.
Alterações cromossômicas estruturais: aquelas que afetam a estrutura, o tamanho ou a organização dos cromossomos.
Deleção (maior do que 5 megabases): ocorre quando uma porção do cromossomo é perdida.
Duplicação (maior do que 5 megabases): caracteriza-se pela repetição de um segmento cromossômico, resultando em cópias adicionais de determinada região genética.
Inversão: acontece quando um fragmento do cromossomo se quebra, sendo reinserido no mesmo cromossomo na orientação oposta à original, o que pode influenciar a expressão dos genes envolvidos.
Translocação: ocorre quando um segmento cromossômico se desprende e se liga a outro cromossomo não homólogo, promovendo a transferência de material genético entre cromossomos distintos.
Cromossomo em anel: alteração estrutural em que as extremidades de um cromossomo se quebram e se unem, formando um círculo.
Cromossomo marcador: cromossomo anormal que não pode ser identificado claramente apenas pela aparência no cariótipo.
Como resultado, o exame cariótipo pode ajudar a diagnosticar uma série de condições genéticas, como:
Síndrome de Down — trissomia do cromossomo 21 ou presença de material adicional do cromossomo 21 devido a uma translocação.
Síndrome de Edwards — trissomia do cromossomo 18.
Síndrome de Patau — trissomia do cromossomo 13.
Síndrome de Turner — monossomia do cromossomo X.
Síndrome de Klinefelter — presença de um cromossomo X adicional.
Síndrome do triplo X — presença de três cromossomos X.
Síndrome XYY — presença de um cromossomo Y adicional.
Síndrome de Cri-du-chat — deleção de uma região do braço curto do cromossomo 5.
Síndrome de Wolf-Hirschhorn — deleção de uma região do braço curto do cromossomo 4.
Quais os tipos de exame de cariótipo?
Apesar de não existir uma classificação oficial que estabeleça diferentes tipos de cariótipo, é possível listar exames de cariótipo de acordo com a técnica de bandamento utilizada ou com o tipo de amostra biológica analisada.
1. Quanto à técnica de bandamento (coloração)
Cariótipo com bandamento G: o mais utilizado na rotina.
Cariótipo com bandamento Q: utiliza fluorescência para evidenciar padrões nos cromossomos.
Cariótipo com bandamento R: produz um padrão de bandas complementar ao bandamento G.
Cariótipo com bandamento C: evidencia principalmente regiões de heterocromatina constitutiva, especialmente próximas aos centrômeros.
2. Quanto ao tipo de material analisado
Cariótipo de sangue periférico: muito utilizado na investigação de alterações cromossômicas constitucionais (presente desde a concepção).
Cariótipo de medula óssea: especialmente importante na investigação e acompanhamento de algumas doenças hematológicas.
Cariótipo de líquido amniótico ou vilosidades coriônicas: utilizado em diagnóstico pré-natal.
É importante destacar que podem ser realizadas análises de cariótipo em diferentes níveis de resolução. O cariótipo de alta resolução, por exemplo, é uma abordagem que possibilita identificar algumas alterações estruturais menores, frequentemente utilizando bandamento G ou R.
Quais as limitações do exame de cariótipo?
O exame cariótipo possui muitas vantagens, pois verifica todo o genoma, detecta rearranjos balanceados e não-balanceados, além de mosaicismos e cromossomos em anel.
Por outro lado, o cariótipo apresenta algumas limitações, como:
É uma técnica trabalhosa e demorada;
Não detecta dissomia uniparental;
Tem baixa resolução (detecta apenas variantes acima de 5 megabases);
Pode ter resultados com artefatos devido a alterações cromossômicas que surgiram na cultura celular.
Perguntas frequentes sobre cariótipo
Tire suas principais dúvidas sobre o exame de cariótipo nas perguntas e respostas a seguir:
Há riscos na realização do cariótipo?
Os riscos variam de acordo com o procedimento necessário para a coleta. Quando o exame é feito com sangue periférico, os riscos são mínimos e estão relacionados à dor ou desconforto no local da punção, pequeno hematoma e, raramente, tontura.
Como é feito e qual é o tempo de duração do cariótipo?
O cariótipo é realizado a partir de uma amostra de células, geralmente obtida por coleta de sangue periférico.
Em seguida, no laboratório, as células são cultivadas e preparadas para que os cromossomos possam ser observados e analisados pelo microscópio.
O prazo varia conforme o laboratório e o tipo de exame.
Para que serve o exame cariótipo banda G?
O bandeamento G é uma técnica utilizada no cariótipo para produzir um padrão característico de bandas claras e escuras ao longo dos cromossomos.
Esse padrão funciona como uma espécie de “impressão digital” dos cromossomos, facilitando sua identificação e a comparação de sua estrutura.
Com isso, o citogeneticista consegue avaliar o número, o tamanho, a forma e a organização dos cromossomos, além de identificar alterações estruturais relativamente grandes, como translocações, inversões, deleções e duplicações.
Onde fazer o cariótipo?
O exame de cariótipo deve ser realizado em laboratórios de análises clínicas ou centros especializados em genética e citogenética que ofereçam esse tipo de análise, como a OLLIN Análises Genômicas.
OLLIN Análises Genômicas: do cariótipo ao NGS
A OLLIN Análises Genômicas é especializada em testes genéticos para auxiliar no processo diagnóstico, proporcionando mais qualidade de vida ao paciente.
Além de exames genéticos realizados por Sequenciamento de Nova Geração, a OLLIN realiza diversas técnicas de análise genômica, incluindo Sequenciamento Sanger, MLPA, microarray e exame de cariótipo.
Referências
Karyotype. NHS England Genomics Education Programme.
Karyotype. National Human Genome Research Institute.
Karyotype Genetic Test. Medline Plus.
MATHEW, Mariam T.; BABCOCK, Melanie; HOU, Ying-Chen Claire; HUNTER, Jesse M.; LEUNG, Marco L.; MEI, Hui; SCHIEFFER, Kathleen; AKKARI, Yassmine. Clinical cytogenetics: current practices and beyond. The Journal of Applied Laboratory Medicine, v. 9, n. 1, p. 61-75, 2024. DOI: https://doi.org/10.1093/jalm/jfad086
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Síndrome de Down (Trissomia 21). Manual MSD - Versão Saúde para a Família.
Zubair M, Lacerda MP. Genetics, Cytogenetic Testing and Conventional Karyotype. [Updated 2025 Dec 30]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2026 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK563293/









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